Um bom guia e uma boa operadora fazem a diferença

Sou mergulhador certificado. Agora é só eu me equipar, encher os cilindros e cair na água…” Assim era como eu pensava quando tinha acabado de me certificar como “Open Water” – o curso mais básico do mergulho. Logo notei que não era bem assim.

Um mergulhador básico, na maioria das vezes, não tem boa orientação subaquática, não conhece a vida marinha e tem pouca experiência para lidar com situações adversas. Um bom guia, seja um Dive Master ou um Instrutor, pode ajudar e muito.

Em 2007 fizemos um mergulho no Morro de São Paulo com a operadora Cia. do Mergulho. Se o guia não fosse um exímio conhecedor do ponto de mergulho, nós não teríamos aproveitado nem metade do que o mergulho nos proporcionou. O cara conhecia muito e sabia exatamente onde os peixes se escondiam. Ele levantava uma pedra, e lá estava uma lagosta escondida. Mexia em outra, e eis que surge um peixe morcego. Sem contar as vidas marinhas que passariam completamente despercebidas por mergulhadores novatos, como por exemplo Nudibranquias, Peixe-Pedra e Linguados. Foi um excelente mergulho considerando que foi um mergulho de praia, com profundidade e visibilidade de cerca de 5 e 4 metros respectivamente. Além de “salvar” nosso mergulho, Gustavo (o instrutor que foi nosso guia), foi uma pessoa de excelente humor que nos garantiu um ótimo atendimento e nos rendeu boas risadas.

nudibranquias

Nudibranquias encontradas no mergulho na Primeira Praia no Morro de São Paulo

Peixe Pedra - Passaria completamente despecebido se não fosse indicado pelo guia

Como destaque para a operação de mergulho, a operadora Omni Mare de Ubatuba merece Menção Honrosa. A extrema organização da operadora compensa um mergulho não tão interessante proporcionado pelas águas de Ubatuba. Na ocasião, estávamos com equipamentos alugados. Não sei se demos sorte, mas nos alugaram equipamentos recém comprados, praticamente novos. E por serem alugados, eles cuidaram de tudo: desde o transporte do equipamento da operadora para o barco até a montagem dos cilindros. Ninguém entrava no barco até que a chamada fosse feita. A cada nome chamado, vinha a explicação: “Fulano, seu lugar no barco é o assento numero X, a roupa que você alugou está dobrada sob seu assento e o seus 2 cilindros são aqueles demarcados com o número do assento.” Notamos, que um dos cilindros já estava montado. Era só vestir e cair na água. Em uma caixa térmica tínhamos “kit-lanche” demarcados com os nomes dos mergulhadores a bordo. O kit-lanche era uma embalagem individual com um sanduíche, uma fruta e 2 bombons. Esse foi o único lugar que não precisei correr para não ficar sem os bombons…

Ao término do mergulho, outra surpresa agradável: uma vez que o equipamento pertencia a operadora, eles mesmos cuidaram do pós-mergulho. Ou seja, toda aquela parte chata de lavar o equipamento após o mergulho ficou ao encargo da operadora. Todo esse cuidado me fez pensar seriamente em não comprar o meu próprio equipamento. Logo eu descobriria que isso era uma exclusividade da Omni Mare, pois nunca mais encontrei uma operadora assim.

Se uma boa operação pode tornar um ponto não interessante em um mergulho agradável, por outro lado uma má operação pode transformar pontos de mergulhos fantásticos em um completo fiasco. Foi o caso de um dos mergulhos que fizemos no em Fernando de Noronha.

Na ocasião a operadora colocou 3 grupos de diferentes níveis na mesma embarcação (mergulhadores técnico, avançados e básicos). A turma do técnico entrou antes num ponto mais profundo enquanto a turma do básico se juntou com a turma do avançado formando  uma  mega-turma com apenas 2 guias. Fizemos o ponto Cabeço das Cordas. O tempo gasto para deixar a turma do técnico no meio do caminho fez com que a nossa guia começasse a apressar nossa entrada.

Para quem não conhece, o Cabeço das Cordas é um mergulho profundo (cerca de 30m) com muita correnteza. Em função da correnteza, é indicado aos mergulhadores entrar na água com o colete desinflado e reunir no fundo antes de iniciar o mergulho. Isto seria fácil se o grupo não fosse tão grande e com apenas 2 guias. Resultado: o pessoal que saltou na frente, gastou boa parte do ar do cilindro esperando o resto da turma à uma profundidade de quase 30m. Já o pessoal que saltou depois sofreu uma baita pressão do guia para não “atrasar” a operação. Embora com excelente visibilidade cheio de vida marinha, este mergulho foi extremamente estressante.

E não pára por aí. Na segunda imersão do dia, novamente para não atrasar a operação de mergulho, o intervalo de superfície foi de apenas 45 minutos. Tínhamos acabado de fazer um mergulho de 30m de profundidade. Nada mais justo que um intervalo de superfície de pelo menos 1 hora. Nossa guia, com ar de chefe mandão, começou a nos pressionar gritando pelo barco: “Vamos pra água gente, o que vocês estão esperando?”. Espera aí! Estamos de férias. Não tem porque sermos pressionados desta forma. Fizemos o mergulho calmamente, no nosso tempo. Aproveitamos bem o que o paraíso que Noronha nos ofereceu. E é claro, reportamos todo ocorrido à operadora e solicitamos a troca dos guias para os demais mergulhos.

Além de guias “apressadinhos”, notamos uma incrível diferença nos lanches oferecidos a bordo. Enquanto a Omni Mare oferece kit-lanche individual com frutas e bombons, lá em Noronha tínhamos bananinhas, goiabinhas e bolacha água e sal. Imaginem só: com a boca seca e salgada após 40 minutos de mergulho, você encontra bolacha de água e sal? Ninguém merece…

Conversando com profissionais do mergulho no Brasil e com outros mergulhadores com bastante experiência, pude notar que a operação estilo Noronha é nenhuma aberração. Pelo contrário, é uma operação com padrões mundial. Outros lugares do mundo com pontos de mergulho em correnteza, também tem hábito de pressionar os mergulhadores para cair na água. Tudo para não perder o ponto de mergulho, afinal, o barco não está ancorado. E o lanche a bordo, parece que é só o Brasil que tem essa cultura. Os demais lugares oferecem água, suco e no máximo uma fruta.

Bom, talvez eu seja muito exigente, mas será que dá pra elevar o padrão mundial da categoria mergulhos recreativo para o nível “estou de férias”? Ou quem sabe, estabelecer critérios de serviço, como nos hotéis que ganham “estrelas” para indicar o nível do serviço? Pelo menos eu já saberia o que esperar ao contratar uma operadora de poucas estrelas.

Fotos Ilha Grande

Fotos: Eric Ramos

Ilha Grande, Rio de Janeiro, Fevereiro 2010.

Fotos Curaçao

Fotos: Eric Ramos & Bianca Bacci Fernandes

Multi-plataforma, multi-linguagem e multi-computador

Uso em meu computador pessoal (PC) um sistema operacional que não é suportado pelo aplicativo fornecido pela Cressi para fazer a interface do meu ArchimedesII. E o pior, isso eu só descobri quando comprei o cabo de interface do ArchimedesII. A Dive Rite, pelo menos deixa isso claro em seu site:

Note: NiTek Dive Log and NiTek Logic software do not work on Mac OS, Vista , Windows 7 or any 64 bit operating system at this time. Posted 7.21.2009

(http://www.diverite.com/products/catalog/computers/computers/co8110)

Para quem usa mais de um computador de mergulho, ou já trocou o seu computador por outra marca, pode ter vivido situação parecida, uma vez que o Log Book eletrônico está vinculado ao computador de mergulho, e não ao mergulhador. Alguns programas chegam até a oferecer um mecanismo de exportação de dados, mas a forma com um programa exporta os dados pode não coincidir com a forma que o outro programa importa.

Bem, na minha decepção, fui buscar uma solução multi-plataforma. E encontrei:

JDiveLog …the open source logbook for scuba divers.

Quem é da área da informática pode estar acostumado com o termo “Open Source” (código aberto). Para quem não é, basta saber que a programação que constitui o aplicativo, não é uma tecnologia proprietária. Ela é livre. Pode ser aberta, e editada por qualquer um que conheça a linguagem de programação na qual este programa foi escrito.

O JDiveLog suporta (até o momento deste post) downloads de computadores Suunto, Aladin e HeinrichsWeikamp’s OSTC Open Source Dive Computer. Para importação de dados, é compatível com o logbook do DataTrack Wlog (Uwatec) e com o logbook da Cressi (arquivo CSV). O software ainda não tem uma versão em português, mas como é um Open Source, quem sabe em breve algum programador brasileiro não poderá traduzí-lo?

Na mesma linha, outros computadores de mergulho poderão em breve ser suportados, desde que haja mergulhadores que saibam programar e estejam interessados em contribuir com um pouco de trabalho! Alguém se habilita?

Cabo para Computador de Mergulho‏‎‏‎‎‏‎‎‏‎‎‏‎‎‏‏‏‎‎‏‎‎‎‏‏‎‎‏‎‏‏‎‎‏‏‎‏‏‎‎‎‏‎‏‏‏‎‎‏‏‏‎‏‏‎‎‏‎‏‎‎‏‎‎‏

Já notaram que tudo o que leva a palavra “mergulho” custa mais caro? Bastou dizer que o produto é para
mergulhadores que o preço triplica. Notem:

  • Saco estanque vendido em loja de material para pesca (made in China): R$14,00 um kit com 3 sacos de 3 tamanhos diferentes.
  • O mesmo saco vendido na loja de equipamentos de mergulho (exatamente o mesmo, só que desta vez uma importadora “carimbou” sua marca de mergulho: R$15,00 CADA UM.

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Fotos Fernando de Noronha

Fotos: Zaira Matheus